Saturday, August 17, 2013

SOBRE PERDÃO E JUSTIÇA






SOBRE PERDÃO E JUSTIÇA

POQUE UM AGRESSOR DE MULHERES DEVERIA SER PERDOADO SEM SEQUER TER PAGADO JUDICIALMENTE POR SEU CRIME?

Falando sobre o caso do Yoki, logo abaixo no post, as maiorias das feministas concordam que a esposa cometeu um crime e deve ser punida mediante a lei. Mesmo ela sendo uma oprimida, mesmo ela tendo sido OPRIMIDA pelo próprio marido morto, mesmo tendo sido prostituta e tendo ouvido dele milhares de violências verbais, dizendo inclusive que "trocaria ela por uma prostituta mais jovem" mesmo com tudo, ela cometeu um crime e deve ser punida.

Segue Link da discussão: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=585134481528559&set=a.115442961831049.6251.100114543363891&type=1&relevant_count=1

Se esta mulher vier a público dizer que esta profundamente arrependida, o julgamento dela deve ser cancelado?

A família deste homem tem direito de odiar esta mulher pelo resto da vida, (afinal ela arrancou deles um ente), ou deveriam perdoá-la e mediante este pedido de perdão e desconsiderar a pena lhe cabe na justiça?

Digamos que ela não tivesse sido identificada na época, ou não houvesse provas para incriminá-la, e em um dado momento da vida estas provas viessem à tona. Teria se passado muito tempo, digamos que a família tivesse considerado perdoá-la, (por causa do filho que ela tem com este homem e levando em consideração que ela foi e é uma oprimida) com as novas evidências, deveriam desconsiderar um julgamento para esta mulher e não denunciá-la?

Acho que a maioria deve ter respondido que:
“Não, de forma alguma, independente de perdoar ou não, esta mulher precisa pagar mediante a sociedade o crime que cometeu, deve ser denunciada e todos devem saber do que ela foi capaz, inclusive para que todos estejam alerta, pois pagar a pena não significa arrependimento e mesmo dizer se arrependido não significa que em uma hora de grande estresse ela não venha a repetir o feito”.

E nós concordamos com a frase dita acima e pensada como resposta para as feministas que estão lendo este texto. Não o perdão não abre precedente para que quem tenha cometido crimes livre se de um julgamento e posteriormente cumpra sua pena.

Perdão e justiça são conceitos completamente diferentes. Não? Uma coisa não anula a outra. Ou será que anula?

Uma pessoa pode ter pagado sua pena diante da sociedade, mas continuar sendo odiada por suas vitimas, vide o caso da Glória Perez que teve a Filha Daniela Perez assassinada pelo também ator e par romântico da moça em uma novela global, Guilherme de Pádua e por sua esposa Paula Nogueira Thomaz.

Para quem não lembra os dois Guilherme e Paula a emboscaram e mataram-na com 18 estocadas, que atingiram o pescoço, pulmão e coração da atriz. Julgados e condenados por homicídio duplamente qualificado, com motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima, os dois cumpriram apenas seis dos 19 anos a que foram condenados.

Glória Perez deveria perdoar Guilherme e Paula Thomaz? (Lembrando que Paula Thomaz também é mulher e inserida no contexto histórico de opressão do patriarcado. Alguém se lembra de terem levado em conta isso para diminuir a pena dela ou algo que o valha na época?)

Quantas vitimas mulheres não tem sequer a chance de pensar em perdão para seu agressor, a maioria delas não sobrevive à agressão, morre de forma tão hedionda quanto este assassinato do Yoki.

Ainda temos um caso muito parecido com este do Yoki, que é a Dália Negra, vocês conhecem este caso?

Elizabeth Short, a Dália Negra, foi encontrada morta, em seu rosto foi aberto de orelha a orelha um sorriso macabro com algum instrumento afiado, seu corpo mutilado e esquartejado em, um terreno baldio na cidade de Los Angeles. O crime ficou eternizado não apenas pela brutalidade, mas principalmente por permanecer até hoje sem solução. Quem quiser ler sobre a brutalidade do crime, segue o link:http://americanhorrorstorybrasil.com/quem-foi-dalia-negra/#.Ug-Kj9IU95I

Pergunta: Se hoje depois de tanto tempo, o assassino de Elizabeth fosse descoberto, mesmo tendo passado tanto tempo, ele deveria ser perdoado e sua penalização judicial esquecida?

Há algum tempo a Givechy lançou um perfume com a fragrância "Dalia Noir" inspirado no caso de Elizabeth. Na propagando surge uma mulher com tules negros esvoaçantes e cintas negras marcando os lugares onde a mulher foi cortada pelo assassino. Postamos aqui na página e surgiram muitas mulheres defendendo a propagando, dizendo que não era misógina e tal, mas e se fosse um perfume inspirado no Yoki? Com um modelo japonês usando cintas marcando exatamente os lugares onde ele foi cortado por sua assassina, e se quem fizesse esta propaganda fosse mulher? Ai seria misandria né?

Muitas mulheres ainda veem homens agressores e misóginos como vitimas e justificam eles da mesma forma que a sociedade patriarcal as ensinou, e esta doutrinação do patriarcado tem as impedido de notar desde as agressões mais sutis até chegar ao ponto de defender perdão ao algoz sem antes passar pela punição que lhe cabe na justiça.

O feminismo não é punitivista, ele luta por justiça, para que os crimes contra as mulheres sejam denunciados e sejam levados a julgamento seus agressores e assassinos com a mesma intolerância que mulheres assassinas são julgadas, pois quando um homem morre assassinado por uma mulher, morreu um ser humano e para a sociedade patriarcal, quando uma mulher é assassinada ou agredida por homem existem milhares de justificativas para este homem ter feito isso. Lembrando que até recentemente homens eram inocentados em crime de honra.

O feminismo também entende que as vitimas destes agressores tem todo direito de odiá-los, pois somos vitimas de injustiças pela sociedade patriarcal que nos trata como segunda classe de seres humanos desde a sua instituição.

O feminismo entende que toda vitima tem feridas abertas que muitas vezes não cicatrizam nunca, e por isso muitas vezes, não trata se nem mesmo de ódio o que as vitimas sentem, mas uma fobia, um medo incontrolável de ser agredida de novo por qualquer homem, pois todos eles estão sujeitos à sociedade patriarcal e nada as garante que não são pessoas cientes destes privilégios outorgada por ela ao sexo masculino cisgênero.

O feminismo não pretende ser uma religião que prega perdão aos algozes, mas é sim um movimento que luta por justiça ás suas vitimas.

Perdão é algo pessoal e intransferível. Todxs tem direito de perdoar se quiserem e não perdoar se assim demandar suas questões diante da agressão sofrida. Mas Justiça deve ser um grito em uníssono para TODXS as feministas.

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