Thursday, August 29, 2013

Lesbians at the mercy of powerless men


Anger is growing in areas where "corrective rape" and murder of lesbian women is rife, yet government has offered only words to console them.
Dudzile Zozo was found dead after being raped in Thokoza. (Clarissa Sosin, M&G)
The atmosphere at Komvlei Cemetery on the East Rand was different on Saturday afternoon. The usually quiet place was filled with chants, shouts of slogans and the thunderous stomping of angry mourners. This, coupled with the wild rising of dust that engulfed the crowd, marked the end of the life of yet another lesbian woman.
On Saturday, Duduzile Zozo (26) was buried by a big crowd. She was found dead by her mother, Thuziwe, half naked with a toilet brush jammed into her vagina in Thokoza, in the Gauteng East Rand in June. The telling of Zozo's story has become a South African cliché over the past decade. Some believe she was the victim of a "corrective rape" and murder.
At least 31 lesbian women have been brutally murdered in the last 10 years and it is reported that at least 10 lesbians are raped or gang-raped per week in Cape Town alone. This is according to Luleki Sizwe, a charity that helps women who have been raped in the Western Cape.
A few activism groups have been formed to respond to this social ill but they have not slowed the brutality down. It is important to note that most of these violent murders happen within the context of the townships, where poverty and unemployment used to be the biggest social challenges. The escalating violence against lesbians has, however, been the new point of focus.

Bottom right: Duduzile Zozo, Gallo Images
Aggression
Gay rights activist and photographer Zanele Muholi attributes this to the constant struggle of power on every level of black society. Speaking at Zozo's funeral, she asked: "What happens after this funeral? When will the power struggle end?"

Muholi feels like talking has become pointless, and instead documents the process as a way of showing its gruesomeness and inhumanity.

​But anger is growing and members of the community and others are worried it will contribute to the tension.

Gender convener and chairperson of the ANC Women's League in Ekurhuleni, Lindiwe Khonjelwayo, accused the gay and lesbian community of showing a great deal of aggression in their campaigning for equal human rights, even outside these violent crimes.

"Aggression is met with aggression. What is needed within gender mainstreaming is a lot of patient understanding and working together."

A social symptom of the wedge between the gay and lesbian community and other men was evident during a pivotal moment during Zozo's funeral. Traditionally, when a person is buried, the grave is dug and filled by men of the family and the community.

Zozo's grave was filled by her lesbian friends. Spades were unceremoniously taken away from the surrounding men, who could not hide their feelings. Visibly angry, they moved away and started singing songs that are usually sung by men only.

"Zozo was raped and killed like an animal. So were the other lesbians. These guys are trying to tell us something, we are just not sure what it is right now," said Lulama Biso, a neighbour who led a protest outside the hall where Zozo was buried.
Intolerant men
There is a great deal of speculation in the township of Thokoza following Zozo's death. Locals have gone as far as accusing hostel-dwelling Zulu men in the Thintwa area where Zozo was murdered.
"It is a common fact that these men are intolerant of anything that is different and new. They were at the forefront of xenophobic attacks around here, and they make it known they feel the same way about gays and lesbians," Biso said adamantly.
A YouTube video shot in Cape Town two years ago has males categorically stating that lesbians must be raped in order to "straighten" them. This attitude seems to be widespread in South Africa, where some males deem homosexuality to fall outside the realm of what is African.
"At the centre of this gruesome violence is the failure to understand each other's needs as society. There is clearly something specific that is causing men to behave this way. We can only fight this once we know what that is," said Khonjelwayo.
Khonjelwayo was also adamant that violence against gays and lesbians needed to remain classified as part of mainstream crime to avoid an "us versus them" situation.
"I am sceptical of the trend where we want to categorise lesbian crime as a special kind. That leads to a lot of special anger and aggression, which tends to perpetuate more violence," she said.
In a statement, Cabinet spokesperson Phumla Williams urged communities to respect individuals' right to life and dignity. "Every citizen has inherent dignity and the right to have their dignity respected and protected, as enshrined in the Constitution of the Republic of South Africa," she said.
But aside from pledging to work around the clock to deliver justice and quotes from the Constitution, this has been the best government has been able to offer South Africa's brutalised and scared lesbians in the past 10 years.

Images by Clarissa Sosin

Dia do Orgulho Lésbico: entrevista com Míriam Martinho

Em 1983, no dia 19 de agosto, as lésbicas que frequentavam o Ferro’s Bar, em São Paulo, revoltaram-se contra a discriminação que as ativistas do Grupo de Ação Lésbico-Feminista (GALF) sofriam no local. A ocupação do bar é considerada o “Stonewall brasileiro“. Por isso, a data de 19 de agosto é celebrada como o Dia do Orgulho Lésbico desde 1996 (embora uma parte do movimento lésbico tenha decidido comemorar o dia 29 de agosto como Dia da Visibilidade Lésbica, o que gera polêmica até hoje).
A comemoração desse dia se torna ainda mais importante em 2009 porque o movimento lésbico brasileiro completou 30 anos no último mês de maio. Para marcar esse dia, conversamos com Míriam Martinho, ativista do GALF que participou da ocupação do Ferro’s Bar. Atualmente, ela escreve nos blogs Contra o Coro dos Contentes e Memória/História MHB-MLGBT, e edita o site lésbico Um Outro Olhar.
Como surge o Grupo Lésbico-Feminista? Quantas mulheres faziam parte do coletivo, na época? Quais foram suas primeiras ações?
MM: O Grupo Lésbico-Feminista surgiu em maio de 1979 quando as mulheres do Grupo Somos de Afirmação Homossexual, de São Paulo (primeiro grupo homossexual do Brasil), foram convidadas a redigir uma matéria sobre lésbicas para o jornal Lampião da Esquina, publicação de temática homossexual do Rio de Janeiro que circulou de 1978 a meados de 1981. Após a publicação dessa matéria, decidiram continuar juntas e formaram o primeiro grupo lésbico brasileiro, chamado Grupo Lésbico-Feminista (LF), cujo coletivo se desfez em meados de 1981. Duas remanescentes deste coletivo, resolveram dar continuidade a organização especificamente lésbica e fundaram o Grupo Ação Lésbica Feminista (outubro/1981).
O LF surgiu dentro do Somos, dentro de um jornal gay. Até hoje as lésbicas reclamam de pouco espaço e visibilidade no movimento homossexual. Foi difícil abrir espaço para as demandas lésbicas no movimento?
MM: Sim, foi difícil. Nem tanto na primeira geração do movimento homossexual (a da década de 80), pois o feminismo estava no auge e influenciava todo mundo, inclusive os homens homossexuais que já pensavam na especificidade lésbica e faziam paralelos entre a questão da homofobia e a situação da mulher. Mais na segunda geração, a da década de 90, quando o movimento homossexual renasce das cinzas. Foi preciso uma batalha campal para simplesmente inserir a palavra lésbica no nome do encontro nacional em 1993. Hoje não sei dizer o quanto as reclamações das ativistas lésbicas sobre mais espaço e visibilidade no movimento homossexual também não são consequência da relativa ausência das mesmas no MLGBT. A maioria vem se reunindo fundamentalmente em separado e em ligação com o movimento feminista, então fica difícil saber o quanto essas queixas procedem. Os gays tendem a ser gaycêntricos mesmo, mas se as lésbicas também não estão presentes para questionar essa situação com pertinência, a tendência é que ela se mantenha.
Pelo que li no seu livreto sobre os 30 anos do movimento lésbico, vocês já enfrentavam algumas dificuldades para vender o ChanaComChana no Ferro’s Bar há algum tempo… qual foi a “gota d’água” para o levante em 19/08/1983?
MM: A gota d’água foi no dia 23 de julho de 1983, quando o dono do bar, o segurança e o porteiro tentaram nos pôr para fora do Ferro’s, puxando a gente pelo braço, dando empurrões. Nós resistimos, e as mulheres que estavam no bar nos apoiaram. Eles chamaram a polícia que extraordinariamente permitiu que a gente ficasse por lá naquele dia, mas naquela base do só hoje e nunca mais. E fomos proibidas de voltar a vender o boletim lá, embora se vendesse de tudo no bar, inclusive substâncias ilícitas. Só não podia vender publicação de lésbica num bar sustentado por lésbicas. Daí organizamos o levante para acabar com a proibição.
Depois desse incidente, as lésbicas continuaram frequentando o bar? Como foi a repercussão da invasão na mídia?
MM: Não só continuaram como houve um acréscimo de tribos lésbicas ao público do bar, pois as feministas homossexuais passaram a frequentar o “pedaço” – como se dizia – também com mais frequência. Em relação à imprensa, houve uma grande repercussão na mídia porque foi a Folha de São Paulo que cobriu a invasão e com um enfoque positivo, coisa inédita no período. Outros jornais e a revista Visão (da época) reproduziram a matéria e reverberaram o assunto.
A invasão do Ferro’s Bar é bastante semelhante ao levante de Stonewall dez anos antes, considerado um marco para o movimento homossexual. Mas o 19 de agosto não costuma ser lembrado com tanto destaque pela imprensa gay brasileira quanto o 18 de junho, e mesmo as lésbicas têm mais uma data oficial para celebrar (29 de agosto, Dia da Visibilidade Lésbica). Você não sente que o caso do Ferro’s Bar é pouco valorizado?
MM: O dia 19 de agosto foi lançado oficialmente em 2003 e novamente divulgado pela Folha de São Paulo, com as matérias sendo replicadas por outros jornais, dando grande repercussão ao assunto. Mas o pessoal do dia da visibilidade, que havia sido proposto em 1996, mas não comemorado efetivamente, ficou temeroso que o 19 de agosto sobrepujasse seu dia e iniciou uma grande propaganda contra a data do orgulho, encontrando respaldo e repercussão na conjuntura política que se iniciou em 2003 e está aí até hoje. O dia da visibilidade se tornou então a data oficial das ativistas lésbicas dessa conjuntura que são majoritárias. Então foi essa propaganda contrária que determinou e ainda determina a valorização inadequada do dia do orgulho. Agora, as pessoas que combatem a visibilidade do dia do orgulho são como aquelas que caíram numa areia movediça: quanto mais lutam contra mais rápido a credibilidade delas afunda, pois o levante do Ferro’s é um fato histórico indiscutível. De qualquer forma, já se percebe que algumas pessoas vêm contestando esse silêncio imposto – que de fato é constrangedor para tod@s – e passando a dar o valor que o dia merece.
Para encerrar: As lésbicas ocupam cada vez mais espaço na mídia (em novelas, com seriados como The L Word, com portais como o Dykerama e o Parada Lésbica, além de uma editora própria, a Malagueta). Bem ou mal, a “visibilidade” lésbica avança. Em termos de “orgulho lésbico”, o que temos que conquistar ainda?
MM: Bem, como costumo dizer, sem orgulho não há visibilidade. Essas manifestações de visibilidade que cita são fruto do orgulho de lésbicas que têm a coragem de ser explicitamente lésbicas numa sociedade que insiste em dizer que deveríamos nos envergonhar de amar outras mulheres. Lésbicas sem orgulho não têm visibilidade. Contiuam cultuando o enrustimento, a vida dupla, a falta de integridade e pagando um preço muito alto em termos de qualidade de vida por isso, além de colaborar com o preconceito. Pior: ainda são a maioria infelizmente. Então continua havendo muito que conquistar em termos de orgulho e consequentemente de visibilidade. Feliz dia do orgulho lésbico!

A Palavra L

Qual o problema com a palavra L? Por que todo mundo evita pronunciá-la?


Alguns anos atrás, uma pessoa que estava conversando comigo quis me indicar uma pessoa numa multidão. Como é de praxe, ela tentou dar referências físicas. A primeira dica era que a pessoa era morena. Comecei a olhar e pelo menos uns 80% das pessoas no local tinham cabelo preto, então não consegui localizá-lo. Fui pedindo mais referências até que descobri que a pessoa que estava comigo usava “moreno” como “negro”.

Esse episódio foi bem marcante para mim porque eu descobri uma coisa: as pessoas evitam ao máximo chamar alguém de negro. E para mim isso sempre foi um incômodo. Primeiro, para mim “moreno” sempre era uma referência sobre a cor de cabelo de alguém, idenpendente se a pessoa é branca, negra, indígena ou asiática. Segundo, o comportamento das pessoas de evitarem chamar alguém de negro passava a impressão que ser negro era algo ruim, um xingamento, por isso amenizavam com a palavra “moreno”.
"Você não quer me ofender e por isso evita me chamar de negra?"
Eu nunca evitei chamar alguém de negro, por que eu quero que essa palavra só indique a cor da pele da pessoa. Não quero forçar a barra evitando a palavra N como se eu considerasse que “negro” implicasse que a pessoa era mais isso ou menos aquilo.
E é exatamente essa a questão com a palavra lésbica. Muitas pessoas tentam a qualquer custo evitar essa palavra.
Mulher Gay? Ahhh, você quer dizer lésbica!
Eu demorei muito tempo até entender a genialidade do nome da série lésbica mais famosa. Quando eu comecei a assistir, láááá no meu tempo de new-lesbian, eu sempre confundia o nome da série com “The L World” porque para mim fazia muito mais sentido aquilo ser um MUNDO do que uma PALAVRA.
Mas com o tempo e a experiência, eu percebi a grande sacada do nome. Não é porque L é de Love, e não de Lesbian, porque a série é sobre, acima de tudo, amor e blablabla. Me poupem, né? The L Word porque a palavra L é ofensiva, chocante, impronunciável numa grade de programação. Assim como a idéia de lésbicas numa série de TV. Assim como lésbicas na sociedade.

Eu até chego a entender porque pessoas heteros tenham receio de usar a palavra lésbica. Da mesma forma que pessoas brancas tenham receio de usar a palavra negro. Não concordo, mas entendo. São palavras que há muito tempo vinham carregadas de conceitos pejorativos. Mas a palavra lésbica ainda tem uma barreira muito maior a romper do que negro.
Ah, ela gosta de meninas? Minha mãe também preferia ter uma menina do que um menino!
Na minha casa, por exemplo, até eu me assumir a palavra para designar lésbicas era “sapatona” (sim, posso falar de “preconceito da sociedade” porque eu cresci numa família ideal para aprender preconceitos de sociedade). Depois, esse conceito deixou de existir. Ninguém tinha problema algum em falar sapotona, mas usar a palavra lésbica JAMAIS! Seria como validar minha existência lésbica e minha sexualidade. A sociedade pode nos  ofender, mas nos reconhecer é outra história.
O blog de tirinhas Mulher de 30 tem uma personagem lésbica - o que é muito bom - mas ela é descrita como "personagem GAY".
Outro exemplo é o MTV Luv que consegue fazer uma programa de 50 minutos e 46 segundos sem pronunciar a palavra L.
Por isso, o que me deixa realmente irritada é quando lésbicas não falam lésbica. Se nós mesmas temos receio de usar a palavra lésbica, como se isso indicasse algo ruim, como podemos cobrar que os heteros não sejam preconceituosos se nós mesmas não nos aceitamos pelo que somos: lésbicas?

De certo você pode se justificar dizendo que não gosta da palavra lésbica. Você realmente acredita que seu único problema com a palavra lésbica é a sonoridade? Que viver numa sociedade que se recusa a falar essa palavra não te afetou em nada?
Não gosta de falar lésbica? Okay. Mas não acredite que isso é mero gosto pessoal. Não é uma coincidência que tantas pessoas não gostem de “lésbica”. Reconheça seu preconceito, pelo menos.

Existem vários termos e derivados na nossa comunidade para evitarmos a palavra L: fancha, sargento, sapa, sapatilha, sandalinha, biscoito bolacha, trucker, dyke, caminhoneira, potcha, 44, entendida, cola-velcro, melissão, chupa-charque, pereirão, racha, yuri para as otakus, fufa para as portuguesas, arroz (porque cola uma na outra) para as sergipanas … Não me incomodo com os termos, mas existe um específico que além de não nos ajudar, nos prejudica: gay.

Para começo de história, nós não somos gays. Não somos homens, nem somos atraídos por homens. Somos mulheres e somos atraídas por mulheres. Nós somos o exato oposto de gays.
Outra questão é que nós não podemos nos esconder embaixo do nome gay. Já basta a predominância masculina na sociedade hetero. Nós somos lésbicas e nós temos nossa própria (sub)cultura. Arco-íris, unicórnios, rosa, drag queens, Madonna, saunas não fazem parte de nossa identidade. Assim como MPB, xadrez, luta no óleo e relacionamentos à distância não fazem parte da identidade gay.

Nós temos uma única coisa em comum com gays: nós amamos pessoas do mesmo sexo. E para isso existe o termo homossexual, que é uma categoria acima de gays e que nos abrange.
Gay não é sinônimo de homossexual! Nós existimos também!
E se você acha que gay é uma palavra que vai nos fazer sofrer menos preconceito do que lésbica, se pergunte: a palavra “gay” é aceita hoje em dia porque gays evitavam usar essa palavra? Gay nunca foi uma palavra ofensiva? Gay não é uma palavra que desemerece os conceitos de masculinidade (gay significava alegre, além de ter uma sonoridade fofinha… Não parece coisa de machão, não é?)?
Então vamos parar de viadagem (cof) e vamos abraçar a palavra que nos liga aos nossos primórdios na ilha de Lesbos! Eu tenho a palavra L na boca e não tenho medo de usá-la!

PS. É válido ler esse post também;
PS2. Semana que vem começa o Miss Lésbica com os melhores prêmios que o meu dinheiro pode comprar. Então aguardem!

Monday, August 26, 2013

Grupo de Estudos de Gênero, Educação e Cultura Sexual - convida






O Edges - Grupo de Estudos de Gênero, Educação e Cultura Sexual - convida para a palestra da professora Raewyn Connell, da Universidade de Sidney, Austrália, no dia 27 de agosto, às 14hs, no Auditório FEUSP - "Descolonizando o gênero: teorias de gênero ao sul do globo no século XXI". A palestra é gratuita e haverá tradução.

Saturday, August 24, 2013

O machão e o machista: Duas faces da mesma moeda e o equívoco do socialismo moreno

 

Aí que eu chego em casa, vou fazer pipoca para a minha pequena e ao entrar no twitter um monte de gente está falando sobre este texto aqui da Cynara Menezes. Gosto de escrever sobre teoria política, debates programáticos, coisas diversas da política e para mim o feminismo se enquadra aí na disputa política, na estruturação de movimento social e normalmente não me meto em tretas de internet, mas hoje deu.
Esse texto aqui não pretende ficar dizendo se é de boa se interessar por pessoas x ou y. O desejo sexual entra em outra esfera do debate e pra mim esse não é o eixo organizador do que ali tá escrito, até por que há limites entre o livre exercer da sexualidade e relações abusivas. O intuito deste texto é localizar os debates programáticos feministas numa real perspectiva de esquerda, pois me causa espanto um blog chamado “Socialista Morena” não conseguir localizar os debates sobre opressão de gênero junto às pautas da esquerda socialista.
Digo isso por que ao abrir o site hoje para ler o post não conseguia conceber alguém que se reivindica de esquerda localizar tão mau um debate que, ao meu ver, é estratégico para a esquerda. Primeiro por que recai numa heteronormatividade tacanha e cissexista, ajuda em um processo de apagamento da população LGBT. Quero crer que foi apenas um deslize esquecer que as pessoas não se relacionam ou se sentem atraídas apenas por gente de gêneros diferentes. Ou seja, o texto publicado hoje pela jornalista e blogueira atenta a luta LGBT de forma rasteira e desinformada.
Além do mais, o texto parece ser retirado de algum blog da Veja. Sim, o conservadorismo político e a manutenção do machismo, racismo e LGBTfobia andam de mãos juntas. Pois é necessário ao capital estas relações de opressões permanecerem, é onde a exploração consegue se permear melhor é mantendo à margem as “minorias”. É esta estrutura conservadora e opressora que a posição ao se tentar dividir questões que não são divisíveis, pois o machismo, como já disse neste texto e em outros que circulam por aí, é estruturante do capitalismo. O machismo tem representação concreta nas relações abusivas entre os gêneros e também tem representação ideológica, não existe essa de dividir as coisas, por que não se divide categorias que formam a nossa atual sociedade.
Não é um maniqueísmo de que os homens cis são maus e o resto é bom. Não por que todas nós fazemos parte desta sociedade e as contradições dessa estrutura social aparece cotidianamente. Machismo é estrutural, assim como o racismo e a LGBTfobia e sendo estrutural dessa sociedade é preciso ser combatido de forma estratégica e não se utilizando de justificativas bobas, vazias para tentar provar o que não existe.
A lógica das mulheres serem propriedades dos homens é perpetuada ao longo dos séculos, é quando olhamos pra localização social do gênero que percebemos que o “proteger” que a Cynara ovaciona contra o “submeter” fazem parte de um mesmo enredo, nada mais do que isso. O “proteger” é o proteger algo que é seu, a sua propriedade privada, a sua propriedade mulher e não dá para a esquerda socialista achar isso de boa, um mal menor e afins.
Não é um debate sobre por quem tu te atraís ou não. Sexo, relacionamento, como vão se estruturar e os limites nós resolvemos no nosso cotidiano. A questão é o como um post de um blog que pretensamente se diz de esquerda consegue ajudar a manter uma série de preconceitos e estruturar um discurso de mal menor que foi construído pelo stalinismo e isso deve ser combatido cotidianamente.
No fundo esse texto só demonstra o quanto é preciso avançar no debate político para haver a compreensão de que as pautas feministas, anti-racistas, socialistas se dialogam dentro de um mesmo projeto de forma paritária e não proporcional. Não existe opressão menor ou maior, existe opressão e ela ajuda a manter um sistema de exploração que cotidianamente quer nos matar, nos aniquilar, pois somos os indesejáveis. Tá aí o problema do texto, ele simplesmente conserva o que a burguesia, os poderosos, os reacionários de plantão querem deixar quieto.

Thursday, August 22, 2013

Jovens têm até meta para beijar na boca em point na Festa do Peão

Recepcionista de Diadema se propôs a beijar 100 homens em um único dia.
Táticas de abordagem incluem até ‘propaganda’ com plaquinha no pescoço.

xx (Foto: Alfredo Risk/G1)Beijo na boca é modalidade mais praticada pelos jovens na Avenida 43 (Foto: Alfredo Risk/G1)
Beijar cem pessoas em um dia. Essa foi a meta traçada pela recepcionista Tatiane Silva, de 24 anos, em sua passagem pela Avenida 43, point de pegação dos jovens durante a Festa do Peão de Barretos (SP). Nos 11 dias do evento, principalmente aos finais de semana, a via fica tomada de pessoas se "preparando" para as noites de shows no Parque do Peão. O clima na avenida é nítido: vai para a 43 quem está a fim de paquerar.
“Eu vim é para beijar na boca mesmo”, confirmou Tatiane, sem pudor. Ela viajou de Diadema (SP) para Barretos com outras 45 pessoas, só para curtir a festa. Até o momento em que o G1 acompanhou a recepcionista, na tarde do domingo (18), o “placar” organizado pelos amigos de Tatiane já havia alcançado 83 homens beijados.
Quem não tem “meta” apela para a “propaganda”. De sunga, fivela e plaquinha pendurada no pescoço, o produtor de eventos de Araraquara (SP) Jonathan Kauê, de 22 anos, estampou sem preocupação a frase “Me pague uma cerveja que eu beijo sua amiga feia.” A tática, segundo ele, já havia rendido seis latas de cerveja – e seis meninas.
 
saiba mais 
“O mais engraçado é que eu não bebo. As cervejas vão para os meus amigos e eu faço a alegria da galera”, disse. E a alegria de Jonathan, como fica?  “Até que eu já beijei umas meninas bonitas. Mas as feias também têm limite, as que são muito feias eu não pego”, brincou.
Veteranos na pegação
A Festa do Peão de Barretos já virou tradição para o gogo boy carioca André Maia, de 33 anos. Presença marcada no evento há nove anos, Maia elege a Avenida 43 como o melhor lugar para conquistar a mulherada. “Há sete anos alugamos a mesma casa na cidade, a uma quadra da avenida. O bom de estar perto é que aqui a festa rola o dia todo”, afirmou.
A recepcionista Tatiane Silva traçou a meta de beijar 100 homens na Avenida 43 (Foto: Fernanda Testa/G1)A recepcionista Tatiane Silva traçou a meta de beijar 100 homens na Avenida 43 em um dia (Foto: Fernanda Testa/G1)
O jovem contou que a tática de aborgadem é chegar dançando ao lado da menina. “Se eu falar com a mulher e ela der risada, já chego beijando.” Maia disse que a estratégia funciona: em menos de duas horas, já havia “laçado” oito mulheres na avenida.
Amigo de Maia, o engenheiro elétrico Apollo Lemos, de 24 anos, viaja de Macaé (RJ) para Barretos há seis anos consecutivos. O figurino inusitado de Lemos – bota, sunga, fivela e chapéu – já havia conquistado 33 mulheres em menos de duas horas. “É o clima da festa. Todo mundo vem para se divertir. A pegação na Avenida 43 faz parte de Barretos, faz parte da Festa do Peão."
xx (Foto: Alfredo Risk/G1)Avenida 43 se transforma em point de 'pegação' antes dos shows no Parque do Peão (Foto: Alfredo Risk/G1)

Tuesday, August 20, 2013

Cantor gospel teria abusado da própria filha

Após o ato, cantor gospel Marcelo Terrinha obrigava a filha a se ajoelhar e pedir perdão a Deus

cantor gospel marcelo terrinha
Imagem: CD do cantor gospel Marcelo Terrinha
O cantor gospel Marcelo Galdino Cordeiro, conhecido como “Marcelo Terrinha”, foi preso por policiais da 61ª DP (Xerém).
O criminoso é suspeito de estuprar a filha durante visitas.
De acordo com o delegado titular da delegacia, Mário Arruda, após investigações, os agentes localizaram Marcelo na cidade de Lauro de Freitas, na Bahia.
Os policiais foram até a Bahia e conseguiram prendê-lo.

Monday, August 19, 2013

As mulheres que você deve evitar se relacionar…


- A melhor amiga da sua ex
Essa você deve evitar a qualquer custo, pois sendo ela a melhor amiga da sua ex ela deve saber sobre detalhes do relacionamento que você teve com sua ex, além é claro dos segredos da sua ex. Melhores amigas contam tudo uma para outra. (Já ouvi varias mulheres dizerem isso.) O que significa que ficar com a melhor amiga da sua ex é mais uma vingança do que uma paixão reprimida.

- A(s) ex do(s) seu(s) amigo(s)
Geralmente a ex do seu amigo pode te ver como amiguxo dela, e você poderá ser a pessoa ideal pra “consolar” ela. Mas pense muito bem, pois ela com certeza deve ter outras opções para “consolar-se”. E por mais maravilhosa que ela seja… Acredite não vale à pena!
Existem aproximadamente 7 bilhões de pessoas no planeta, dos quais mais da metade são mulheres. Pense bem, ah e não é atoa que existe aquela frase que diz: “Mulher de amigo meu é homem.” Aprenda a valorizar seus amigos!

- Mulheres com muitos amigos homens
Não entre nessa… Uma mulher com muitos “amigos” é uma roubada amigão, elas geralmente começam a contar coisas para esses caras que não contam para você, elas irão se divertir com eles, sair com eles, fazer umas “farras” com eles . Você pode até pensar que se você evita esse tipo de mulher é por insegurança e tal, mas não tem nada a ver com insegurança e sim com a porcaria que será ter um relacionamento com esse tipo de mulher, pois ela ficará contando para você as coisas que ela faz com seus amiguinhos… Além é claro que geralmente uma mulher que tem muitos amigos não inspira muito confiança, pois o risco dela trair você é iminente!

- As exibidas
Essa você irá evitar ter compromissos com ela (Se você tiver alguma coisa na sua cabeça), elas geralmente fazem de tudo para chamar atenção de todos os homens do ambiente… Roupas curtíssimas e bem coladas no corpo, decotes que mostram tudo, coxas visíveis e costas a mostra. Mulheres assim geralmente tem auto-estima lá em baixo e não se respeitam e não pense que elas irão respeitá-lo no relacionamento, porque elas não vão. (Isso não é preconceito, isso não é machismo… Isso é a realidade nua e crua!)

- Festeiras
Não estou recriminando as mulheres que saem para curtir algumas vezes, mas aquelas que toda festa que tem… Lá esta ela novamente, seja sexta, sábado ou domingo, se tem festa ela ta no meio. Antes de dizer que eu estou errado pense: o que uma mulher que vive de festa em festa teria a oferecer para você? (em alguns casos que elas beijam mais bocas no final de semana do que você beijou no mês inteiro. Acha exagero? Mas é a realidade. ) Enfim se você optar por se envolver com esse tipo de mulher você irá vivenciar o resultado.

#VETADILMA ABORIO NAO!

Perséfone | Novela tenta ser engraçada, mas acaba humilhando personagem





humilha2 
Perséfone, personagem do núcleo humorístico da novela “Amor à vida”, é uma simpática moça que já passou dos 30 e sofre por ainda ser virgem. Em busca de se livrar desse “problema”, a pobre enfermeira tenta de tudo, mas acaba por se envolver em encontros frustrantes. Até agora, ela já foi amarrada à cama por um sadomasoquista, dopada, assaltada por um de seus pretendentes, vista como cliente de um garoto de programa – quando não era – e passou por outras situações que pretendiam ser engraçadas.
No fim, cria-se uma visão infeliz, não apenas da personagem, mas de todas daquelas que tem sobrepeso e as que optam por perder a virgindade “tardiamente” – se é que existe um “tarde demais” para o sexo. Numa matéria sobre comportamento masculino, o portal Terra cita o caso da moça:
“Por mais que ela [Perséfone] faça convites insinuantes e às vezes até parta para cima, literalmente, do pretendente, as investidas da virgem são um fiasco. O motivo? Segundo homens entrevistados pelo Terra, a combinação de mulher aos 30 anos e virgindade assusta o público masculino: ‘algum problema tem’, disse o administrador de redes Adriano P.”

Algumas das cenas nas quais Perséfone “se dá mal” em seus encontros.
Segundo o site, os homens “não enxergam com naturalidade uma mulher nessa faixa etária sem qualquer experiência sexual.” A novela ajuda a perpetuar essa ideia e cria uma personagem cheia de inseguranças – físicas e psicológicas – que justificam sua situação.
Em fóruns de meninas Plus Size, Perséfone causa revolta, pois transmite a imagem de que “gorda é boba, carente, e ninguém quer”, o que apenas contribui para que as mulheres não aceitem os próprios corpos e impõe uma cobrança sexual que simplesmente não deveria existir.
 A fim de criar uma nova visão sobre a personagem, foi criada uma petição online que deseja a mudança do rumo da história. Em resposta, o autor declarou que a moça encontrará o amor, será aceita e terá final feliz. Um grande conto de fadas.
Acho estranho o fato de a atriz, que há anos assumiu suas formas e defende que as mulheres amem o corpo que têm, aceitar esse tipo de papel,onde mais uma vez um personagem feminino é completamente determinado por suas relações com o sexo masculino, não há felicidade por si só, ela precisa encontrar um príncipe encantado que a conduza ao “momento mais mágico de sua vida”, a perda da virgindade.
Vendo não apenas este caso, mas tantos outros, onde pessoas reais, são rotuladas e humilhadas, penso se é mesmo necessário dar ouvidos a tudo que vemos na televisão, ou a publicações como ‘Cláudias’, ‘Novas’, ‘Cara’ e afins. Pregam a todo instante que devemos ser mulheres independentes e bem resolvidas, ao mesmo tempo em que nos bombardeiam com elementos que só agravam as naturais inseguranças de toda mulher. No fim, retorno a tal Perséfone e me pergunto, qual seria seu objetivo no núcleo humorístico? Criar um sentimento de superioridade em quem assiste sobre o personagem explorado, este é o seu real objetivo, nos fazer rir de momentos que, na vida real, são extremamente pessoais e delicados. Infelizmente, para muitos – inclusive o próprio autor da trama- a desgraça alheia ainda é a melhor piada.

Sunday, August 18, 2013

Cozman dhe Tuna tashme te ndare.



Pas nje mosmarveshje mes qiftit tashme shume te perfolur Cozman (Ylber Loti) dhe Tuna  (Altuna Sejdiu) me nje interviste me vet reperin nga labeli babastars thot se nuk ishte ndonje ngaterres e madhe vetem disa probleme te gjdo qifti.

Em homenagem à Semana Mundial de Amamentação


eu depuo minhas pernas...


Saturday, August 17, 2013

Estudioso Católico afirma que igreja realizava casamento gay no ano 100 d.C.

 

O historiador e religioso católico John Boswell dedicou grande parte de sua vida acadêmica ao estudo do tempo entre o final do Império Romano e início da Igreja cristã. Ao analisar documentos da época, descobriu dezenas de registros de cerimônias da igreja, onde dois homens se juntaram em sindicatos que usaram os mesmos rituais de casamentos heterossexuais. Em compensação, não conseguiu quase nenhum registro de uniões lésbicas, o que demostra que a cultura é muito mais masculina. 
Leia o texto da jornalista Ana Claudia Cichon, publicado riginalmente no HypeScience, com detalhes da pesquisa de Boswell, feita há quase duas décadas.

O casamento gay no ano de 100 d.C.

Por Ana Claudia Cichon - O casamento gay soa como uma ideia ultra contemporânea. Mas há quase vinte anos, um estudioso católico em Yale chocou o mundo ao publicar um livro repleto de evidências de que os casamentos homossexuais foram sancionados pela Igreja Cristã durante uma era comumente chamada de Idade das Trevas.

John Boswell foi um historiador e religioso católico que dedicou grande parte de sua vida acadêmica ao estudo do tempo entre o final do Império Romano e início da Igreja cristã. Analisando os documentos legais e da igreja a partir desta época, ele descobriu algo incrível. Havia dezenas de registros de cerimônias da igreja, onde dois homens se juntaram em sindicatos que usaram os mesmos rituais de casamentos heterossexuais. Em compensação, não conseguiu quase nenhum registro de uniões lésbicas, o que demostra que a cultura é muito mais masculina.

Amparado por esta evidência, Boswell publicou um livro em 1994, um ano antes de sua morte por AIDS, chamado de “Uniões do mesmo sexo na Europa pré-moderna”. O livro será lançado no próximo mês pela primeira vez em uma edição digital. Era um para-raios instante de controvérsia, atraindo críticas da Igreja Católica e da comentarista de sexo Camille Paglia. Sabendo da visão atual da Igreja sobre o casamento gay, esses detratores argumentaram que a história de Boswell parecia uma ilusão.

Mas não era. Boswell na verdade começou sua pesquisa na década de 1970, e publicou um trabalho igualmente controverso em 1980 chamado Cristianismo, Tolerância Social e Homossexualidade: Pessoas gays na Europa Ocidental a partir do início da era cristã para o século XIV. Seu livro revela muito do que tinha aprendido ao longo de uma vida de pesquisa em fontes primárias em bibliotecas e arquivos espalhados.

Como esses casamentos foram esquecidos pela história? Uma resposta fácil é que – como Boswell argumenta – a Igreja reformulou a ideia do casamento no século 13 para fins de procriação. Acadêmicos e funcionários da igreja trabalharam duro para suprimir a história desses casamentos, a fim de justificar sua nova definição.

Naturalmente, a história é mais complicada do que isso. Boswell afirma que parte do problema é que a definição de casamento hoje é muito diferente, que é quase impossível para os historiadores reconhecer documentos de casamentos gays de 1800 anos atrás. Muitas vezes, esses documentos referem-se a unir “irmãos”, que na época teria sido uma maneira de descrever parceiros do mesmo sexo, cujos estilos de vida eram tolerados em Roma. Além disso, os casamentos mais de um milênio atrás não eram baseadas em procriação, mas na partilha da riqueza. Assim, o “casamento” às vezes significava uma união não sexual de duas pessoas ou de famílias. Boswell admite que alguns dos documentos que encontrou poderiam referir-se simplesmente ao fato da união não sexual de dois homens – mas também se referiu ao que hoje chamaríamos o casamento gay.

O jurista Richard Ante escreveu um artigo explicando que o livro de Boswell poderia até ser usado como evidência para a legalidade do casamento gay, uma vez que mostra a evidência de que as definições de casamento mudaram ao longo do tempo. Ele descreve algumas das evidências de Boswell desses ritos do mesmo sexo, no início do primeiro milênio: “O rito do enterro dada para Aquiles e Pátroclo, os dois homens, era o rito do enterro de um homem e sua esposa. As relações de Adriano e Antínomo, de Polyeuct e Nearchos, de Perpétua e Felicitas, e dos Santos Serge e Baco, são semelhantes aos casamentos heterossexuais de suas épocas. A iconografia de Serge e Baco foi a mesma usada em cerimônias nupciais do mesmo sexo pela Igreja cristã primitiva”.

A principal evidência de que essas uniões do mesmo sexo eram casamentos é que eles eram muito parecidos com cerimônias heterossexuais. O literário erudito Bruce Holsinger descreve histórias detalhadas de Boswell de cerimônias do mesmo sexo: “[Boswell] inteligentemente coloca o desenvolvimento de escritórios nupciais heterossexuais e pessoas do mesmo sexo como um fenômeno único, acompanhando o crescimento deste último de ‘meramente um conjunto de orações’ na Idade Média antes de sua floração no século XII, que envolveu ‘a queima de velas, a colocação das mãos dos dois partidos sobre o Evangelho, a união de suas mãos direitas, a ligação de suas mãos … com estola do sacerdote, uma ladainha introdutório coroação, a Oração do Senhor, comunhão, um beijo, e às vezes circulando ao redor do altar’. Boswell dedica um capítulo inteiro para comparar esses rituais com os seus homólogos heterossexuais, revelando uma série de semelhanças extraordinárias entre os dois, em vários apêndices, totalizando quase 100 páginas. Ele compilou inúmeros exemplos dos próprios documentos (incluindo cerimônias de matrimônio heterossexual e rituais de adoção) para permitir que ‘os leitores julguem por si mesmos’, como ele diz”.

Eram estas uniões do mesmo sexo na idade média a mesma coisa que casamentos gays de hoje? Provavelmente não. Pessoas da época podem não ter visto dois homens que formam uma união como algo fora do comum. O próprio casamento significava algo diferente de milhares de anos atrás, e os tabus sociais contra a homossexualidade ainda não tinham solidificado. Ainda assim, na obra de Boswell, encontramos registros de instituições onde os casais do mesmo sexo foram homenageados com as mesmas cerimônias que os casais de sexo oposto. Dois homens podiam viver como irmãos, partilhando riqueza, casa e família. E sim, eles podiam amar uns aos outros, também.

Embora Boswell tenha morrido antes de seu país começar a permitir essas uniões, ele poderia se vangloriar por saber algo que a maioria das pessoas não conhecia. Mesmo os tipos mais fundamentais das relações humanas mudam com o tempo. Aqueles que foram banidos hoje pode ser abençoado amanhã – assim como eles eram mais de mil anos atrás.

Drag Queen da Rússia costura a própria boca como forma de protesto. As imagens são fortes! (VIDEO)


Sendin' out Love to everyone in Boston...pray for better days.


Rihanna (Photo&Video)


SOBRE PERDÃO E JUSTIÇA






SOBRE PERDÃO E JUSTIÇA

POQUE UM AGRESSOR DE MULHERES DEVERIA SER PERDOADO SEM SEQUER TER PAGADO JUDICIALMENTE POR SEU CRIME?

Falando sobre o caso do Yoki, logo abaixo no post, as maiorias das feministas concordam que a esposa cometeu um crime e deve ser punida mediante a lei. Mesmo ela sendo uma oprimida, mesmo ela tendo sido OPRIMIDA pelo próprio marido morto, mesmo tendo sido prostituta e tendo ouvido dele milhares de violências verbais, dizendo inclusive que "trocaria ela por uma prostituta mais jovem" mesmo com tudo, ela cometeu um crime e deve ser punida.

Segue Link da discussão: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=585134481528559&set=a.115442961831049.6251.100114543363891&type=1&relevant_count=1

Se esta mulher vier a público dizer que esta profundamente arrependida, o julgamento dela deve ser cancelado?

A família deste homem tem direito de odiar esta mulher pelo resto da vida, (afinal ela arrancou deles um ente), ou deveriam perdoá-la e mediante este pedido de perdão e desconsiderar a pena lhe cabe na justiça?

Digamos que ela não tivesse sido identificada na época, ou não houvesse provas para incriminá-la, e em um dado momento da vida estas provas viessem à tona. Teria se passado muito tempo, digamos que a família tivesse considerado perdoá-la, (por causa do filho que ela tem com este homem e levando em consideração que ela foi e é uma oprimida) com as novas evidências, deveriam desconsiderar um julgamento para esta mulher e não denunciá-la?

Acho que a maioria deve ter respondido que:
“Não, de forma alguma, independente de perdoar ou não, esta mulher precisa pagar mediante a sociedade o crime que cometeu, deve ser denunciada e todos devem saber do que ela foi capaz, inclusive para que todos estejam alerta, pois pagar a pena não significa arrependimento e mesmo dizer se arrependido não significa que em uma hora de grande estresse ela não venha a repetir o feito”.

E nós concordamos com a frase dita acima e pensada como resposta para as feministas que estão lendo este texto. Não o perdão não abre precedente para que quem tenha cometido crimes livre se de um julgamento e posteriormente cumpra sua pena.

Perdão e justiça são conceitos completamente diferentes. Não? Uma coisa não anula a outra. Ou será que anula?

Uma pessoa pode ter pagado sua pena diante da sociedade, mas continuar sendo odiada por suas vitimas, vide o caso da Glória Perez que teve a Filha Daniela Perez assassinada pelo também ator e par romântico da moça em uma novela global, Guilherme de Pádua e por sua esposa Paula Nogueira Thomaz.

Para quem não lembra os dois Guilherme e Paula a emboscaram e mataram-na com 18 estocadas, que atingiram o pescoço, pulmão e coração da atriz. Julgados e condenados por homicídio duplamente qualificado, com motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima, os dois cumpriram apenas seis dos 19 anos a que foram condenados.

Glória Perez deveria perdoar Guilherme e Paula Thomaz? (Lembrando que Paula Thomaz também é mulher e inserida no contexto histórico de opressão do patriarcado. Alguém se lembra de terem levado em conta isso para diminuir a pena dela ou algo que o valha na época?)

Quantas vitimas mulheres não tem sequer a chance de pensar em perdão para seu agressor, a maioria delas não sobrevive à agressão, morre de forma tão hedionda quanto este assassinato do Yoki.

Ainda temos um caso muito parecido com este do Yoki, que é a Dália Negra, vocês conhecem este caso?

Elizabeth Short, a Dália Negra, foi encontrada morta, em seu rosto foi aberto de orelha a orelha um sorriso macabro com algum instrumento afiado, seu corpo mutilado e esquartejado em, um terreno baldio na cidade de Los Angeles. O crime ficou eternizado não apenas pela brutalidade, mas principalmente por permanecer até hoje sem solução. Quem quiser ler sobre a brutalidade do crime, segue o link:http://americanhorrorstorybrasil.com/quem-foi-dalia-negra/#.Ug-Kj9IU95I

Pergunta: Se hoje depois de tanto tempo, o assassino de Elizabeth fosse descoberto, mesmo tendo passado tanto tempo, ele deveria ser perdoado e sua penalização judicial esquecida?

Há algum tempo a Givechy lançou um perfume com a fragrância "Dalia Noir" inspirado no caso de Elizabeth. Na propagando surge uma mulher com tules negros esvoaçantes e cintas negras marcando os lugares onde a mulher foi cortada pelo assassino. Postamos aqui na página e surgiram muitas mulheres defendendo a propagando, dizendo que não era misógina e tal, mas e se fosse um perfume inspirado no Yoki? Com um modelo japonês usando cintas marcando exatamente os lugares onde ele foi cortado por sua assassina, e se quem fizesse esta propaganda fosse mulher? Ai seria misandria né?

Muitas mulheres ainda veem homens agressores e misóginos como vitimas e justificam eles da mesma forma que a sociedade patriarcal as ensinou, e esta doutrinação do patriarcado tem as impedido de notar desde as agressões mais sutis até chegar ao ponto de defender perdão ao algoz sem antes passar pela punição que lhe cabe na justiça.

O feminismo não é punitivista, ele luta por justiça, para que os crimes contra as mulheres sejam denunciados e sejam levados a julgamento seus agressores e assassinos com a mesma intolerância que mulheres assassinas são julgadas, pois quando um homem morre assassinado por uma mulher, morreu um ser humano e para a sociedade patriarcal, quando uma mulher é assassinada ou agredida por homem existem milhares de justificativas para este homem ter feito isso. Lembrando que até recentemente homens eram inocentados em crime de honra.

O feminismo também entende que as vitimas destes agressores tem todo direito de odiá-los, pois somos vitimas de injustiças pela sociedade patriarcal que nos trata como segunda classe de seres humanos desde a sua instituição.

O feminismo entende que toda vitima tem feridas abertas que muitas vezes não cicatrizam nunca, e por isso muitas vezes, não trata se nem mesmo de ódio o que as vitimas sentem, mas uma fobia, um medo incontrolável de ser agredida de novo por qualquer homem, pois todos eles estão sujeitos à sociedade patriarcal e nada as garante que não são pessoas cientes destes privilégios outorgada por ela ao sexo masculino cisgênero.

O feminismo não pretende ser uma religião que prega perdão aos algozes, mas é sim um movimento que luta por justiça ás suas vitimas.

Perdão é algo pessoal e intransferível. Todxs tem direito de perdoar se quiserem e não perdoar se assim demandar suas questões diante da agressão sofrida. Mas Justiça deve ser um grito em uníssono para TODXS as feministas.

209 Por trás da música: Camila, Camila #16

Suja o meu nome perante a favela
Que eu te deixo esticada no chão
Do tiro na sua mão e quebro suas pernas
Eu vo ti levar pro microondas mais antes eu rasgo seu corpo na bala
Pra familia te reconhecer, só mesmo no exame da arcada dentaria
É por isso que eu digo novinha
Não mexe comigo não
Os repulsivos versos acima são do hit “Novinha” do funkeiro Mc Martinho. A letra faz referência à violência contra a mulher, ao crime, à crueldade, assim como muitos outros funks (ou mesmo pagodes, axés, etc…) similares. Mesmo assim, não é raro você passar em frente a uma casa e ouvir esta música tocando a toda altura, muitas garotas e mulheres inclusive “descem até o chão" ao som desta música, enfim… viva a ignorância!
ssss
Agora lhe pergunto, quantas músicas você conhece que abordam este tema, a violência contra a mulher, de forma digna?
Uma pesquisa feita pela MTV há alguns anos mostra que apenas uma música tratava desse tema. Quando ainda pouco ou nada se falava sobre abuso sexual de crianças e adolescentes no Brasil, a banda Nenhum de Nós ousou abordar o tema na década de 80 com a música “Camila, Camila“, hoje um clássico do rock nacional.
1987 - Nenhum de Nós
O vocalista e autor da letra, Thedy Corrêa, conta como sentiu a necessidade de falar sobre o delicado assunto. Ele também lamenta que muitas músicas brasileiras ainda estimulem o sexismo e deturpem a imagem da mulher, quando deveriam conscientizar contra a violência sexual. Confira um trecho de uma entrevista com o vocalista:
Essa canção foi inspirada em fatos reais, envolvendo uma jovem que nós conhecíamos na época, em 1985. Era uma colega de escola bastante bonita com um namorado violento. Ficávamos intrigados com os motivos que levavam uma garota assim a se submeter e ser maltratada por um rapaz tão estúpido. Ouvimos algumas histórias de situações constrangedoras que ela sofreu e essa foi nossa "faísca criadora” para uma canção que falasse da violência contra a mulher. Por isso os “olhos insanos”, a “vergonha do espelho naquelas marcas”, além da tristeza e indignação na melodia. Hoje, ela vive super bem, tem uma linda família e está bem longe desse antigo namorado… Ainda bem!
Quando escrevemos Camila, jamais esperávamos que fosse fazer tamanho sucesso – até mesmo pela temática complicada. Quando ela estourou, a questão se tornou uma constante em nossas entrevistas, e isso foi fantástico para que se abordasse o tema entre o público jovem.
[…]
De resto, assistimos estarrecidos ao avanço de estilos e temáticas que pouco têm ajudado na conscientização do problema. Basta ver gente achando graça quando algum funk se refere às garotas como cachorras, ou algum sertanejo fala em um amor que beira à violência. Isso é um retrocesso. Triste, mas é verdade…
grande-1-2010-04-28-05-24-10
 

Camila, Camila

Depois da última noite de festa
Chorando e esperando amanhecer, amanhecer
As coisas aconteciam com alguma explicação
Com alguma explicação
Depois da última noite de chuva
Chorando e esperando amanhecer, amanhecer
Às vezes peço a ele que vá embora
Que vá embora
Camila
Camila, Camila
Eu que tenho medo até de suas mãos
Mas o ódio cega e você não percebe
Mas o ódio cega
E eu que tenho medo até do seu olhar
Mas o ódio cega e você não percebe
Mas o ódio cega
A lembrança do silêncio
Daquelas tardes, daquelas tardes
Da vergonha do espelho
Naquelas marcas, naquelas marcas
Havia algo de insano
Naqueles olhos, olhos insanos
Os olhos que passavam o dia
A me vigiar, a me vigiar
Camila
Camila, Camila
E eu que tinha apenas 17 anos
Baixava a minha cabeça pra tudo
Era assim que as coisas aconteciam
Era assim que eu via tudo acontecer

Representativdade importa! FULL (news&photo)

Eu tihna 9 anons quando Star Trek foi ao ar. Eu olhei para a tela a sai correndo pela casa gritando "Vem aqui,mae gente, depressa, vem logo! Tem uma moqa negra na telavisao e ela nao e empregada! Naquele momento eu soube que podia ser o que eu quisesse

/Whoopi Goldberg

Prostituição: por que seguimos ignorando o que elas estão nos dizendo?

Por: Thais Ferreira, Layza Queiroz e Maitê Maronhas* A prostituição feminina sempre foi tema de diversas discussões em todo o mundo. Poder público, religiões, academia e organizações sociais, sobretudo feministas, protagonizam o debate e influenciam nas políticas direcionadas a esse setor. No Brasil, a aproximação da Copa do Mundo, o Projeto de Lei 4.211/2012 de autoria do Deputado Federal Jean Wilys, o episódio envolvendo o Ministério da Saúde que determinou a suspensão de uma campanha institucional com a divulgação da mensagem “Sou feliz sendo prostituta”, além da recente visibilidade das organizações de prostitutas, do transfeminismo e da nova configuração do feminismo no cenário nacional, trazem o assunto para a pauta do dia. As religiões, sobretudo de matrizes cristãs, moralizam o discurso contrário a qualquer forma de regulamentação da atividade exercida pelas prostitutas. A mulher que presta esse “tipo de serviço” é considerada, ao mesmo tempo, vítima e pecadora, além de ser um exemplo de degradação dos valores morais e ameaça à instituição familiar. Enquanto assistimos o crescimento da influência e do poder do fundamentalismo religioso nos ameaçando com retrocessos, o governo, por sua vez, adota uma postura negligente e comete erros grosseiros no tratamento da questão. Por outro lado, as organizações sociais feministas e transfeministas, assim como pesquisadoras e pesquisadores do tema, não conseguem encontrar um consenso. As divergências variam desde a concepção sobre prostituição como escolha e seguem pelo debate da regulamentação da atividade e destinação de políticas públicas adequadas. Todo esse contexto faz com que o debate da prostituição fique em um verdadeiro limbo e o desamparo as prostitutas permanece. Qual a nossa postura enquanto feministas? Campanha institucional do Ministério da Saúde para o Dia da Prostituta que foi cancelada dois dias depois da divulgação do material. Campanha institucional do Ministério da Saúde para o Dia da Prostituta que foi cancelada dois dias depois da divulgação do material. O lugar da mulher no sistema capitalista A prostituição feminina está inegavelmente associada ao patriarcado, às desigualdades sociais de gênero, à feminização da pobreza e à mercantilização da vida. O sistema capitalista transforma tudo em produto, inclusive as relações e a vida das pessoas, atribuindo-lhe preços para venda no mercado. Aliando-se ao patriarcado, o capitalismo se vale das diferenças de sexo e de gênero para vulnerabilizar o sujeito feminino e potencializar sua exploração. No Brasil, as mulheres ocupam os postos de trabalho mais precarizados e recebem cerca de 30% a menos que os homens no desempenho das mesmas funções. São cotidianamente vítimas das mais variadas manifestações da violência sexista (física, sexual, psicológica, institucional, etc.) e estão longe de alcançar o que chamamos de autonomia econômica. Estes elementos contribuem para compreender a situação das mulheres hoje e o contexto em que buscam meios para sua sobrevivência e de suas famílias. Nesse contexto, a prostituição pode ser uma opção? Quando questionadas acerca de deixar a atividade, muitas colocam: de que outra forma conseguiria a renda que a prostituição me proporciona? Profissões como caixa de supermercado, atendentes de telemarketing, domésticas, faxineiras, copeiras, são alternativas existentes no mercado de trabalho para grande parte das mulheres. Mesmo com outros postos de trabalho disponíveis, “muitas prostitutas indicam a venda do sexo como uma atividade mais lucrativa e até menos desagradável” (1). A exaustiva e precarizada jornada de trabalho das profissões disponíveis, aliada à possibilidade de conquistar maior renda no exercício da prostituição, faz com que muitas prefiram fazer sexo em troca de dinheiro a trabalhar como doméstica ou caixista de supermercado em troca de quantia muito menor. Trabalhadoras domésticas, por exemplo, colocam seu tempo, seu corpo e sua saúde à disposição de outras pessoas e estão submetidas a condições precárias de trabalho, preconceito e exploração. Para elas também não há “escolha livre”, sua condição é pré-determinada pela realidade econômica e contexto social em que vivem. Nós, feministas, defendemos que o trabalho doméstico e de cuidados não deveria ser comercializado. Lutamos pela redução da jornada de trabalho, o que permitiria que homens e mulheres cuidassem da reprodução da vida e dividissem de forma justa os afazeres domésticos. Mas, nem por isso, as mulheres que vendem trabalho doméstico no mercado devem ficar desamparadas perante a legislação, apesar dessa venda reforçar muito do que combatemos. A grande questão é que a prostituição envolve sexo e, na vivência da sexualidade, as mulheres são historicamente oprimidas pelos homens. Contudo, essa realidade, infelizmente, não é uma exclusividade do sexo vendido. Nas palavras de uma prostituta: Pior: quando você casa com um homem, aí sim ele se acha seu dono. O que eu faço aqui na rua não é nadinha diferente daquilo que fazia em casa, quando era casada. Ou você acha que trepava com meu marido todos os dias porque morria de tesão e amores por ele? Não senhor! Era um trabalho, igual a esse aqui. Minto: era um dever. E você não ganha nada por um dever. Aqui sou paga por aquilo que faço, pelo menos. Meu marido nunca me pagou. Aliás, era eu que vivia dando dinheiro para ele. Em: Amor um real por minuto – A prostituição como atividade econômica no Brasil urbano (.pdf) texto de Ana Paula da Silva e Thaddeus Gregory Blanchette. Neste ponto, chegamos a uma necessidade inadiável no debate da prostituição, que é esclarecer e distinguir algumas noções. É preciso parar de confundir a venda do corpo com a venda do sexo, assim como é preciso desfazer a associação automática da prostituição à exploração sexual e ao tráfico humano. Essa confusão reforça a ideia de que a prostituição ocorre invariavelmente à revelia das mulheres, o que não é uma verdade. Segundo uma prostituta da região da Rua Augusta de São Paulo: “Eu alugo umas sacanagens por uma boa grana. Isso de vender o corpo é bobagem, Lis. Não vendo nada, não. É tudo meu!”. Em: Prostituição e a liberdade do corpo (.pdf), texto de Elisiane Pasini. Ainda, é fundamental distinguir a exploração sexual (quando a venda do sexo ocorre sob coerção) da prostituição (quando uma mulher decide se prostituir). Tratar a prostituta sempre como uma vítima incapaz de tomar decisões por si mesma é subestimá-la. Hoje em dia, quase nenhum trabalhador ou trabalhadora tem condições de deixar o emprego simplesmente por querer, pois, via de regra, não tem condições de simplesmente abrir mão de seu salário. Limitada e viciada, como todas as nossas “escolhas” nos marcos do capitalismo, a prostituição pode ser uma decisão que mulheres tomam num dado contexto. Por mais que nós queiramos que as mulheres tenham um mundo de possibilidades à sua disposição, nesse momento, elas não têm, e a ausência de proteção e garantias às prostitutas se revela como mais uma violência contra elas. O sistema capitalista transforma tudo em mercadoria e o sexo não pode ser visto como um campo alheio às relações socioeconômicas capitalistas: “de fato, Friedrich Engels até faz questão de equiparar ‘a cortesã habitual’ que ‘aluga o seu corpo por hora’ como a trabalhadora assalariada” (2). Lutamos para que as relações entre as pessoas e o sexo não sejam mais um produto do mercado? Sim, lutamos. Acreditamos que isso será possível nesse sistema econômico? Definitivamente não. Mas é necessário garantir o controle da atividade hoje e assegurar condições para seu exercício. prostituta_pernambuco Cartaz feito pela APPS, Fórum LGBT de Pernambuco, Instituto PAPAI, Centro das Mulheres do Cabo e dos Núcleos de Pesquisa do Departamento de Psicologia da UFPE (Gema, LabEshu e Gepcol) em protesto a decisão do governo brasileiro de censurar e alterar a campanha institucional do Ministério da Saúde. Leia a nota divulgada junto com o cartaz. Regulamentação da prostituição A situação das prostitutas no Brasil é de completa desproteção e descaso. A ausência de regulamentação da atividade mantém as mulheres expostas a situações de risco. Violência, abusos e violação de direitos são características inerentes à clandestinidade. Assim como a criminalização das drogas beneficia as grandes máfias, a ausência de controle do Estado sobre a prostituição favorece o tráfico de pessoas e a exploração sexual. A regulamentação enfraquece quem lucra com a ilegalidade. Deixar que o poder econômico e a autonomia privada regulem a forma de realização da prostituição é ser, no mínimo, negligente para com as mulheres. Aqui, reafirmamos o papel do Estado na garantia de direitos. A regulamentação visa estabelecer parâmetros básicos para que a atividade seja exercida. As casas de prostituição, como qualquer outro local de prestação de serviços, demandam controle do Estado para fiscalização das condições de trabalho, higiene e segurança. É importante colocar que as casas de prostituição são apontadas por elas como o local mais seguro para exercerem a atividade. O ambiente das ruas é perigoso, não só no processo de negociação com o cliente, como também pela própria sociedade que as hostiliza e ameaça constantemente. Nas palavras de uma prostituta da Paraíba, em relato sistematizado pela Associação das Prostitutas (APROS): “Tem cliente que queria obrigar. Mas quando o cliente chegava a querer obrigar, chamava os homens da pousada. Por isso que eu nunca me passei a sair, entrar no carro com um homem e ir pra outro lugar, algum canto desconhecido. Porque aqui perto, tem as pousadas, ai a gente chama o proprietário; olhe, ele que me obrigar a isso e aquilo.” (M. 25 anos). (3) É claro que a venda do sexo nas casas de prostituição tem um importante componente de expropriação e de exploração, assim como em todo trabalho vendido no mercado: no capitalismo, o patrão se apropria de praticamente toda a riqueza gerada pela força-de-trabalho. Na legislação atual, o exercício individual da prostituição não é um crime, mas a associação destinada à prestação deste serviço é considerada ilegal — sujeita à detenção de dois a cinco anos (art. 228 do Código Penal). Ou seja, se as prostitutas se organizarem para prestar o serviço de forma independente da figura do cafetão, elas também estarão cometendo um crime. Nesse contexto, a regulamentação pode permitir que as prostitutas se organizem de forma autônoma, a exemplo da ideia de cooperativas sugerida no Projeto de Lei 4.211/2012. Sabemos que a prostituição envolve elementos específicos da relação de poder homem-mulher que não podem deixar de ser considerados. Contudo, os relatos das prostitutas indicam a ausência da regulamentação e de direitos como sendo o principal problema. Por que seguimos ignorando o que elas estão dizendo? A regulamentação é importante na medida em que reconhece as prostitutas, no exercício de sua atividade, como sujeito de direitos, sendo alvo de garantias legais e políticas públicas efetivas. Ademais, é sabido que a prostituição é quase sempre a única fonte de trabalho e renda das pessoas trans*. A postura inegociavelmente contrária a qualquer regulamentação da atividade chega a ser irresponsável para com a população transexual e travesti, que vive toda a sua vida à margem de direitos e de cidadania. É contraditório continuarmos militando no campo do ideal. Até que as mulheres tenham autonomia econômica e sexual, a situação da prostituição no país não pode continuar nessa penumbra: legalmente reconhecida como trabalho pelo Ministério do Trabalho e Emprego, porém não regulamentada. Quem perde são as prostitutas. Quem perde são as mulheres. Referências (1) e (2) SILVA, Ana Paula da e BLANCHETTE, Thaddeus Gregory. Amor Um Real Por Minuto: a prostituição como atividade econômica no Brasil urbano (.pdf). (3) LEITE, Davi Valentim de Sousa. A formalização da relação de trabalho das profissionais do sexo. Monografia defendida para conclusão do curso de Direito na Escola de Estudos Superiores de Viçosa, 2009. —– * Thais Ferreira, Layza Queiroz e Maitê Maronhas são militantes da Marcha Mundial das Mulheres de Minas Gerais.

Mulher Negra: sinônimo de resistência

Por Marcela Ribeiro* Não fomos vencidas pela anulação social, Sobrevivemos à ausência na novela, no comercial; O sistema pode até me transformar em empregada, Mas não pode me fazer raciocinar como criada; Enquanto mulheres convencionais lutam contra o machismo, As negras duelam pra vencer o machismo, O preconceito, o racismo Yzalú As mulheres negras nunca reconheceram em si o mito da fragilidade que historicamente justificou a proteção paternalista. Aprenderam desde muito cedo na dureza das lavouras, do comércio informal, que sua vida valia apenas o que produzia. A coisificação do povo negro fez com que o machismo sobre as mulheres negras tivesse radicalidade, principalmente na mercantilização de suas vidas e corpos. Após séculos de exploração de seus corpos e vidas ainda há de forma intensa um processo de erotização e apropriação dos corpos das mulheres negras que na divisão das mulheres entre santas e profanas, as negras são sempre vistas como as profanas. Aquelas que não são para casar, mas meramente para diversão casual. É uma realidade difícil ser negra latino-americana numa sociedade construída a partir do racismo e do patriarcado. Sendo o racismo uma lógica em que uma raça se organiza para oprimir outra raça, temos isso delineado nos países latino-americanos através da exclusão territorial, social, econômica e política. Onde a mulher negra acaba sofrendo uma dupla opressão, já que há historicamente construída, uma hegemonia de um gênero sobre o outro. “O papel da mulher negra é negado na formação da cultura nacional; a desigualdade entre homens e mulheres é erotizada; e a violência sexual contra as mulheres negras foi convertida em um romance”, Gilliam. Ainda hoje, há uma dificuldade em reconhecer as mulheres negras que estiveram no centro das lutas e movimentos sociais e culturais, as heroínas negras são totalmente invisibilizadas. No Brasil quando do pouco que se fala da resistência negra, quase nada ou nada se fala de Dandara, Luíza Mahin, Carolina Maria de Jesus, Mãe Menininha, Tereza de Benguela, Laudelina Mello e tantas outras mulheres negras protagonistas não apenas de suas histórias, mas da história brasileira. ellenoleria_acao2010mmm Ellen Oléria na Ação 2010 da Marcha Mundial das Mulheres. Foto: Daniela Carrasco. ENEGRECER A DISTRIBUIÇÃO DE RENDA: Uma Política Feminista E Popular Não é factível combater o machismo e não se sensibilizar a situação das mulheres negras. Ser feminista é casar a agenda contra o sexismo com a luta antirracista, compreendendo que as mulheres negras além de sofrerem com a herança do patriarcado sofrem também com a herança perversa do racismo. O machismo e o racismo estão entrelaçados, são faces da mesma moeda, opressões inerentes ao atual sistema de produção. Apesar dos avanços que representam o aumento do salário mínimo, a criação de mais empregos e a política de geração de renda dos últimos dez anos no Brasil, as disparidades entre raça e gênero pouco se alteraram principalmente no que tange as relações no mercado de trabalho. Em que pese não vermos com tanta frequência a observação: “exige-se boa aparência”, ainda hoje temos um cenário em que a maioria desempregada tem cor e gênero, são mulheres e negras (12,5%), seguidas pelas mulheres brancas (9,2%), depois pelos homens negros (6,6%) e com menor índice de desemprego os homens brancos (5,3%). Dados reunidos no Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça (na quarta edição, em 2011). Analisando um pouco mais, é de fácil percepção que as mulheres negras estão nos setores mais precarizados, com menores remunerações e com maior vulnerabilidade social. Há uma estimativa de que no Brasil seis milhões e meio de mulheres estão laborando como domésticas, dessas a esmagadora maioria são negras. Quando tratamos da renda média das e dos trabalhadores, dados da mesma pesquisa expressam o cenário da disparidade entre mulheres e homens, negros e não negros. Na base da pirâmide social temos as mulheres negras recebendo cerca de R$ 544,00; seguida pelos homens negros recebendo cerca de R$ 853,00; antes das mulheres brancas com media de R$ 957,00 e entre os mais bem remunerados os homens brancos na faixa de R$ 1491,00. Mesmo diante desse cenário ainda temos a maioria das famílias monoparentais chefiadas por mulheres e negras, daí a centralidade de pensarmos nas políticas públicas como politicas raciais e de gênero. Por que trata-se do setor dependente dos equipamentos públicos motivo pelo qual compreendemos também o motivo de ser ainda tão negligenciado pela elite brasileira. Trata-se essencialmente de dialogar com a classe popular e trabalhadora, de empoderar esse setor com a valorização do público em detrimento do privado. Avançar no processo de revolução democrática no Brasil perpassa por promover políticas públicas que foquem na superação das relações racistas e machistas estruturantes do modelo neoliberal de sociedade. Esse é o atual desafio do governo brasileiro o qual deverá ser seguido por outros governos do campo popular na América Latina. 8demarcoMMM MMM no 8 de março de 2013 em São Paulo. Foto: Elaine Campos. EU ABORTO, TU ABORTAS, SOMOS TODAS CLANDESTINAS A última Pesquisa Nacional sobre Aborto no Brasil, realizada em 2010 pela Universidade de Brasília, revela que uma em cada sete brasileiras entre 18 e 39 já realizou ao menos um aborto na vida, o que equivale a 5 milhões de mulheres. Quando falamos do genocídio da juventude negra, sempre apresentamos o que representa a criminalização do aborto para as jovens mulheres negras. Uma lei que criminaliza apenas uma parcela da sociedade brasileira por si só além de imoral é no mínimo ilegítima. E é exatamente isso o que ocorre com a criminalização do aborto, uma vez que, as mulheres de alto poder aquisitivo podem e pagam em clínicas caríssimas por segurança e sigilo, as mulheres pobres, negras, da periferia, ou das zonas rurais, abortam em condições precárias e quando recorrem ao SUS são criminalizadas e ojerizadas. Trata-se de um problema de saúde pública, de um agravante ao genocídio da juventude negra, de uma lei racista, moralista e arraigada dos valores do patriarcado onde limita a autonomia das mulheres sobre seus corpos além de ferir a laicidade do estado brasileiro. Legalizar o aborto é uma bandeira de luta pela vida. Pela vida das mulheres, jovens, mulheres e negras! MMMcupuladospovos MMM na Cúpula dos Povos 2012. Foto: Marta Baião. UNIVERSIDADE SE PINTANDO DE POVO Quando pensamos em uma universidade de qualidade pensamos em uma universidade popular, não só em seu projeto pedagógico, mas na sua estrutura, na composição dos seus atores e atrizes, do corpo docente ao discente. Portanto, pensar uma universidade de qualidade é pensar em um ambiente onde teremos negros e não negros, homens e mulheres, homossexuais, transexuais, travestis, bissexuais, construindo a academia e rompendo com o processo de colonização do conhecimento e o eurocentrismo, ou seja, uma universidade diversa, plural e que não reproduza as opressões da heteronormatividade, de gênero e racial. Apesar de estarmos avançando na democratização do ensino superior no Brasil, principalmente com o advento da política de cotas étnico-raciais ainda temos uma realidade cruel quando colocamos no centro do debate a situação das mulheres negras. Fato que hoje a maioria do corpo discente nas universidades brasileiras é composta por mulheres, no entanto, de modo geral permanecemos invisibilizadas na academia. As referências bibliográficas ainda são majoritariamente masculinas e brancas, assim como o quadro docente. Para a mulher negra essa realidade é ainda pior, segundo dados do IPEA, enquanto uma mulher branca costuma estudar cerca de 9,7 anos as mulheres negras estudam em media 7,8 anos. Mulheres negras enfrentam maiores dificuldades para entrar, se manter e sair da universidade; quando muita das vezes nem chegam a pisar por lá. Democratizar o ensino é dar condições para termos mulheres e mais mulheres negras construindo essas universidades de dentro pra fora, como mestras e doutoras, mas de fora pra dentro, com todo seu conhecimento popular, o qual deve ser respeitado pela academia. 25julho 25 DE JULHO: Mais Um Dia De Luta Há 21 anos, no primeiro encontro das afro-latinas e afro-caribenhas, em Santo Domingo estabeleceu-se o dia 25 de julho como o dia latino-americano e caribenho da mulher negra. As disparidades de gênero e raça colocam as opressões sexistas e racistas como um tema atual e iminente, trata-se de dois sustentáculos do modelo socioeconômico vigente. Por isso o dia 25 de julho é uma data que nos lembra do quanto as mulheres negras ainda precisam avançar nas conquistas de direitos. A superação do racismo e do machismo é uma luta árdua, constante, de crítica e desconstrução do modelo de produção, da cultura hegemônica, do sistema educacional, político e econômico. Lutar pela mulher negra significa lutar contra o capital, contra o padrão de beleza eurocêntrico, contra a hierarquização da cultura, contra a colonização do conhecimento, contra o eurocentrismo, contra a estigmatização juntamente com a luta pela valorização da cultura negra, popular e periférica, de igualdade de oportunidades, por políticas de equidade e de reparação. Significa lutar por transformações radicais na estrutura da sociedade. Emancipação, respeito, dignidade, valorização, irreverência, subversão são algumas das palavras que podem ser colocadas no centro do dia de luta pela mulher negra não só no Brasil mais em toda América Latina e Caribe. * Marcela Ribeiro é Diretora de Combate ao Racismo da UNE e militante da Marcha Mundial das Mulheres.

Combatamos o punitivismo na esquerda combatendo o machismo dela

Muito se tem discutido a respeito do polêmico post “Não me perdoo pelas pessoas que estuprei” publicado no Escreva Lola Escreva aqui. O texto tem repercutido negativamente em vários espaços de discussão feminista, e gostaria de apontar críticas da minha própria reflexão.
A autora, Lola Aronovich, recebeu por e-mail, em dezembro passado, o relato de um homem que cometeu vários estupros contra a irmã e um primo, e que se diz arrependido. Após todo esse tempo, resolveu publicá-lo, e em suas considerações sobre o motivo pelo qual hesitou antes de tomar essa decisão, aponta como primeiro motivo o possível desconforto das vítimas. E, como segundo, o “punitivismo” de determinadas feministas (segundo ela todas não-organizadas), que não são pró-direitos humanos.
Pelo texto, nota-se claramente que ela ficou em dúvida entre publicar ou não por 2 motivos: o primeiro, que ela ignorou, é a dor que as vítimas iriam sentir ao ler aquilo. O segundo, os ataques que ela iria receber, de dentro do próprio movimento feminista, pedindo punição do culpado. Já antevendo tais ataques, ela se defendeu previamente, fazendo uma generalização de acordo com a qual quem pede punição para um arrependido, uma pessoa que mudou, está sendo punitivista.
Dado que não temos nada que não a palavra do estuprador que nos dê indício de que ele esteja, de fato, arrependido, não deveríamos tomar o relato dele como verdade absoluta mas como, antes de mais nada, a confissão de um crime. E confissões por escrito de crimes cometidos contra mulheres só têm um posicionamento de fato feminista possível de ser tomado: entregar às autoridades competentes.
Ao colocar publicamente o pedido de desculpas de um estuprador, sem identificá-lo, antes de o crime prescrever, Lola tomou a posição de acobertar o crime e, provavelmente, tirou a última chance que as vítimas tiveram na vida de não padecer mais da impunidade.
O intuito da publicação do post era iniciar um debate contra uma posição “punitivista”, “reacionária” e “contraditória” de algumas feministas que não são a favor dos direitos humanos e defendem castração química, pena de morte, punições desumanas, etc. Mostrando que há estupradores que repensam, se arrependem, se sentem culpados e que, portanto, matá-los ou torturá-los não é a solução, mas sim reeducá-los.
Nenhuma das críticas que vêm sendo feitas à Lola discorda desse posicionamento. No entanto, precisamos compreender o caráter intrínsecamente patriarcal de, diante de um caso de violência contra mulher*, ignorar a mulher vítima e usar esse caso para debater outras questões.
O patriarcado faz isso todo o tempo: todas as lutas são mais importantes que as das mulheres. A luta pela legalização das drogas, pelas melhores condições no sistema carcerário, contra a pena de morte (a qual não está em risco real de se aprovada no Brasil hoje), contra o rebaixamento da maioridade penal, todas as lutas vêm primeiro que a luta contra o estupro. Acontece que as mulheres integram todas essas lutas, no entanto, suas demandas específicas em cada uma delas são ignoradas. Assim, a sociedade vai avançando, mas as mulheres sempre avançam 10 passos atrás, por conta do machismo.
A tarefa do movimento feminista é diminuir a distância entre os direitos já conquistados pelos homens e os conquistados pelas mulheres. E para fazer isso, quando se está diante de um caso de violência a uma mulher deve-se colocá-la no centro do debate e ressaltar a importância da demanda dela – por segurança, por intregidade mental e moral, por justiça. Colocar as demandas da mulher na margem e utilizar a violência cometida contra ela como pretexto para debater outros assuntos é o que o patriarcado já faz o tempo todo. Dentro do movimento feminista, a maneira de proceder é necessariamente outra.
Por exemplo, tomemos as péssimas condições do sistema prisional brasileiro. É fato amplamente conhecido que as condições das prisões são terríveis e nada respeitosas aos direitos humanos. No entanto, não cabe ao movimento feminista enquanto movimento feminista deixar estupradores livres porque eles já estão arrependidos mesmo e dão a palavra que não voltarão a fazer o mesmo. Cabe ao movimento feminista lutar por justiça em cada caso, que é o mínimo de conforto à vítima que nós temos obrigação moral de oferecer.
Há outros espaços políticos pelos quais lutar por melhoras no sistema prisional. E o ideal é o movimento feminista integrar cada um deles e se engajar nessa luta. A luta por melhoras no sistema prisional é muito diferente de não ajudar as autoridades a investigar casos de estupro porque, se o sistema prisional é ruim e não regenera mesmo, então deixemos o cara que se declara regenerado solto. Essa lógica não é nem feminista, nem capaz de mover a sociedade para melhorias nas prisões. Ela é meramente condescendente com um estuprador confesso e não avança a luta em nenhuma das duas esferas, nem aproxima o movimento feminista de se incorporar à luta contra as más condições carcerárias.
Continuando a trabalhar este exemplo, pensemos a luta pela melhoria do sistema prisional: será que ela contempla as condições das mulheres presas? Sabemos que não. Eu mesma publiquei, recentemente, minha indignação na página Feminismo na Rede, na qual, toda vez que publico sobre as péssimas condições das mulheres presas, a resposta é: nenhuma repercussão. Chamei as feministas à responsabilidade de atentar para as condições de um dos setores mais marginalizados do conjunto das mulheres e, felizmente, tive resposta positiva de algumas garotas. Disse que lutar pelas mulheres pobres e negras passa por lutar pelas mulheres em presídios femininos, muitas vezes presas por cometer um aborto clandestino ou roubar itens de enxoval como fraldas.
Algumas disseram nunca ter se interessado pela questão antes, e felizmente pudemos avançar na consciência entre os pontos de intersecção entre a luta feminista e a luta contra a violação a direitos humanos no sistema prisional brasileiro, a partir de um texto sobre prisões em que mulheres, por falta de absorvente, se viam obrigadas a usar miolos de pão no lugar, o que nos dá um claro indício do grau de desumanidade das condições a que elas estão submetidas.
É isso que avança a luta. Mostrar que o movimento feminista se faz necessário em todas as lutas sociais, porque em todas as causas há também mulheres interessadas, e em todas as causas as mulheres têm suas vozes abafadas pelas demandas de todos ou especificamente masculinas, porque as questões específicas das mulheres seriam sempre menos importantes.
Toda vez que feministas tentam levantar a voz para chamar atenção aos problemas específicos das mulheres, são acusadas de querer rachar o movimento. Feminismo é erguer as vozes das mulheres em cada um dos espaços de luta por cada um dos direitos sociais, não usar um caso de violência contra mulher para levantar outras questões ignorando o sofrimento que ela pode vir a sentir.
Quando lutamos por justiça em cada caso de estupro, fortalecemos a mulher que foi vitimada por tão brutal violência e, só assim empoderada, a mulher pode lutar outras lutas com qualidade, confiança, assertividade. E se sentir segura nos espaços de militância por outras causas. Quando priorizamos o debate sobre outras causas e passamos por cima do caso de estupro, todas as lutas ficam mais difíceis – as pelos direitos das mulheres e as outras, as quais elas não podem ocupar com segurança e com qualidade, por ter suas demandas específicas diminuídas e sua situação em outras esferas da vida que não a militância piorada.
As mulheres protagonizam a luta pró-direitos humanos. São esposas, ex-esposas, namoradas, ex-namoradas e mães de presos as pessoas que mais lutam por melhores condições nos presídios. No entanto, quem luta pelas mulheres encarceradas? Como apontam as brilhantes Católicas pelo direito de decidir, quando o homem vai preso a família continua visitando e se atentando para as suas necessidades, já quando a mulher vai presa seu abandono é total e a primeira coisa que acontece é o rompimento dos vínculos familiares.
Assim, as já esperadas críticas vindas do movimento feminista estão sim acontecendo e gostaria de deixar a minha contribuição, feliz por tais críticas estarem sendo de muito maior qualidade do que a expectativa – ao invés de clamar por sangue dos agressores, clamamos por sermos colocadas no centro dos debates quando somos o alvo central de uma violência.
* também houve violência contra um homem, e o silenciamento dela também se deve ao machismo, pois se há alguma coisa menos importante que as lutas das mulheres contra o estupro, essa coisa é a luta dos homens pelo mesmo motivo pois, supostamente, um homem “fraco” ao ponto de se tornar alvo de tal violência não mereceria nenhum despendimento de esforço de nenhum movimento social.
Por Kátia da Costa

Popular Posts