Monday, August 19, 2013

Perséfone | Novela tenta ser engraçada, mas acaba humilhando personagem





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Perséfone, personagem do núcleo humorístico da novela “Amor à vida”, é uma simpática moça que já passou dos 30 e sofre por ainda ser virgem. Em busca de se livrar desse “problema”, a pobre enfermeira tenta de tudo, mas acaba por se envolver em encontros frustrantes. Até agora, ela já foi amarrada à cama por um sadomasoquista, dopada, assaltada por um de seus pretendentes, vista como cliente de um garoto de programa – quando não era – e passou por outras situações que pretendiam ser engraçadas.
No fim, cria-se uma visão infeliz, não apenas da personagem, mas de todas daquelas que tem sobrepeso e as que optam por perder a virgindade “tardiamente” – se é que existe um “tarde demais” para o sexo. Numa matéria sobre comportamento masculino, o portal Terra cita o caso da moça:
“Por mais que ela [Perséfone] faça convites insinuantes e às vezes até parta para cima, literalmente, do pretendente, as investidas da virgem são um fiasco. O motivo? Segundo homens entrevistados pelo Terra, a combinação de mulher aos 30 anos e virgindade assusta o público masculino: ‘algum problema tem’, disse o administrador de redes Adriano P.”

Algumas das cenas nas quais Perséfone “se dá mal” em seus encontros.
Segundo o site, os homens “não enxergam com naturalidade uma mulher nessa faixa etária sem qualquer experiência sexual.” A novela ajuda a perpetuar essa ideia e cria uma personagem cheia de inseguranças – físicas e psicológicas – que justificam sua situação.
Em fóruns de meninas Plus Size, Perséfone causa revolta, pois transmite a imagem de que “gorda é boba, carente, e ninguém quer”, o que apenas contribui para que as mulheres não aceitem os próprios corpos e impõe uma cobrança sexual que simplesmente não deveria existir.
 A fim de criar uma nova visão sobre a personagem, foi criada uma petição online que deseja a mudança do rumo da história. Em resposta, o autor declarou que a moça encontrará o amor, será aceita e terá final feliz. Um grande conto de fadas.
Acho estranho o fato de a atriz, que há anos assumiu suas formas e defende que as mulheres amem o corpo que têm, aceitar esse tipo de papel,onde mais uma vez um personagem feminino é completamente determinado por suas relações com o sexo masculino, não há felicidade por si só, ela precisa encontrar um príncipe encantado que a conduza ao “momento mais mágico de sua vida”, a perda da virgindade.
Vendo não apenas este caso, mas tantos outros, onde pessoas reais, são rotuladas e humilhadas, penso se é mesmo necessário dar ouvidos a tudo que vemos na televisão, ou a publicações como ‘Cláudias’, ‘Novas’, ‘Cara’ e afins. Pregam a todo instante que devemos ser mulheres independentes e bem resolvidas, ao mesmo tempo em que nos bombardeiam com elementos que só agravam as naturais inseguranças de toda mulher. No fim, retorno a tal Perséfone e me pergunto, qual seria seu objetivo no núcleo humorístico? Criar um sentimento de superioridade em quem assiste sobre o personagem explorado, este é o seu real objetivo, nos fazer rir de momentos que, na vida real, são extremamente pessoais e delicados. Infelizmente, para muitos – inclusive o próprio autor da trama- a desgraça alheia ainda é a melhor piada.

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