Perséfone, personagem do núcleo
humorístico da novela “Amor à vida”, é uma simpática moça que já passou
dos 30 e sofre por ainda ser virgem. Em busca de se livrar desse
“problema”, a pobre enfermeira tenta de tudo, mas acaba por se envolver
em encontros frustrantes. Até agora, ela já foi amarrada à cama por um
sadomasoquista, dopada, assaltada por um de seus pretendentes, vista
como cliente de um garoto de programa – quando não era – e passou por
outras situações que pretendiam ser engraçadas.
No fim, cria-se uma visão infeliz, não
apenas da personagem, mas de todas daquelas que tem sobrepeso e as que
optam por perder a virgindade “tardiamente” – se é que existe um “tarde
demais” para o sexo. Numa matéria sobre comportamento masculino, o
portal Terra cita o caso da moça:
“Por mais que ela [Perséfone] faça
convites insinuantes e às vezes até parta para cima, literalmente, do
pretendente, as investidas da virgem são um fiasco. O motivo? Segundo
homens entrevistados pelo Terra, a combinação de mulher
aos 30 anos e virgindade assusta o público masculino: ‘algum problema
tem’, disse o administrador de redes Adriano P.”

Algumas das cenas nas quais Perséfone “se dá mal” em seus encontros.
Segundo o site, os homens “não enxergam
com naturalidade uma mulher nessa faixa etária sem qualquer experiência
sexual.” A novela ajuda a perpetuar essa ideia e cria uma personagem
cheia de inseguranças – físicas e psicológicas – que justificam sua
situação.
Em fóruns de meninas Plus Size,
Perséfone causa revolta, pois transmite a imagem de que “gorda é boba,
carente, e ninguém quer”, o que apenas contribui para que as mulheres
não aceitem os próprios corpos e impõe uma cobrança sexual que
simplesmente não deveria existir.
A fim de criar uma nova visão sobre a
personagem, foi criada uma petição online que deseja a mudança do rumo
da história. Em resposta, o autor declarou que a moça encontrará o amor,
será aceita e terá final feliz. Um grande conto de fadas.
Acho estranho o fato de a atriz, que há
anos assumiu suas formas e defende que as mulheres amem o corpo que têm,
aceitar esse tipo de papel,onde mais uma vez um personagem feminino é
completamente determinado por suas relações com o sexo masculino, não há
felicidade por si só, ela precisa encontrar um príncipe encantado que a
conduza ao “momento mais mágico de sua vida”, a perda da virgindade.
Vendo não apenas este caso, mas tantos outros, onde pessoas reais,
são rotuladas e humilhadas, penso se é mesmo necessário dar ouvidos a
tudo que vemos na televisão, ou a publicações como ‘Cláudias’, ‘Novas’,
‘Cara’ e afins. Pregam a todo instante que devemos ser mulheres
independentes e bem resolvidas, ao mesmo tempo em que nos bombardeiam
com elementos que só agravam as naturais inseguranças de toda mulher. No
fim, retorno a tal Perséfone e me pergunto, qual seria seu objetivo no
núcleo humorístico? Criar um sentimento de superioridade em quem assiste
sobre o personagem explorado, este é o seu real objetivo, nos fazer rir
de momentos que, na vida real, são extremamente pessoais e delicados.
Infelizmente, para muitos – inclusive o próprio autor da trama- a
desgraça alheia ainda é a melhor piada.
Concordo.
ReplyDeleteTotalmente concordo.
ReplyDeletesomos 2
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